Em uma operação que já entrou para os anais da segurança pública brasileira, a Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro (SEPM) efetuou, no início de abril de 2026, a maior apreensão de entorpecentes já registrada no país. Ao todo, 48 toneladas de drogas foram localizadas no Complexo da Maré, na Zona Norte da capital fluminense, desferindo um prejuízo estimado em R$ 50 milhões às facções criminosas que atuam na região.
A magnitude da ação supera o recorde anterior, estabelecido em 2021 no Mato Grosso do Sul, quando foram apreendidas 36,5 toneladas. O resultado é fruto de um planejamento estratégico minucioso e do uso intensivo de inteligência policial.
O Bunker do Tráfico: O Papel Fundamental do BAC
A descoberta do carregamento recorde ocorreu nas comunidades da Nova Holanda e Parque União. O material estava escondido em um bunker sofisticado, localizado no terraço de uma construção abandonada. A estrutura, concretada e de difícil acesso, foi projetada especificamente para ocultar grandes estoques de entorpecentes dos olhos das autoridades.
O fator decisivo para o sucesso da missão foi o emprego do Batalhão de Ações com Cães (BAC). Durante as buscas, cães farejadores — com destaque para o cão Hulck, um Pastor Belga Malinois — identificaram partículas de odor emanando da estrutura. A mudança de comportamento dos animais guiou os policiais até o esconderijo, onde foram encontrados mais de 24 mil tabletes de maconha, cada um pesando aproximadamente dois quilos.
Balanço da Operação: Armas e Veículos Recuperados
Além das 48 toneladas de maconha, a operação, que mobilizou cerca de 250 policiais militares de unidades de elite como o BOPE, Choque e o Grupamento Aeromóvel (GAM), apresentou outros números expressivos:
- Armamento: Apreensão de 5 fuzis e 4 pistolas.
- Logística do Crime: Localização de um contêiner com 200 litros de lança-perfume e insumos químicos para o refino de drogas.
- Recuperação de Bens: 26 veículos roubados (carros e motos) foram recuperados e devolvidos aos proprietários.
- Prisões: Um suspeito foi detido em flagrante e encaminhado à 21ª DP (Bonsucesso).
O secretário de Estado de Polícia Militar, Coronel Sylvio Guerra, classificou a ação como “cirúrgica”. Segundo o comandante, o foco da operação foi asfixiar o braço financeiro do tráfico de drogas e reduzir os índices de roubo de cargas e veículos na Avenida Brasil e vias expressas vizinhas, sem gerar efeitos colaterais para a população local.
Logística de Guerra para o Transporte e Incineração
A retirada da droga da comunidade exigiu uma logística pesada. Foram necessários caminhões de carga e um forte esquema de escolta para transportar as 48 toneladas até a Cidade da Polícia e, posteriormente, para uma siderúrgica onde o material foi incinerado. A operação de transporte contou com blindados e apoio aéreo constante, garantindo que o material não fosse alvo de tentativas de resgate por parte de criminosos.
Este evento marca um novo patamar no combate ao narcotráfico no Rio de Janeiro. Para o portal Radar das Cidades, a ação demonstra que a integração entre tecnologia, treinamento especializado (K9) e inteligência é o caminho para desarticular as grandes estruturas do crime organizado que impactam a rotina de milhares de cidadãos fluminenses.







