Perigo nos Ares: Polícia Civil Fecha Fábrica Clandestina de Linha Chilena em Jacarepaguá

Compartilhe esta Notícia:

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro desferiu um golpe importante contra o mercado ilegal de cerol e linhas cortantes nesta quinta-feira (07/05). Em uma operação cirúrgica realizada em Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital, agentes conseguiram desmantelar uma fábrica clandestina que operava não apenas na distribuição local, mas em um esquema de tráfico interestadual de linha chilena.

A ação resultou na prisão em flagrante de dois homens e na apreensão de uma vasta quantidade de material ilícito, maquinário de produção e carretéis prontos para a comercialização.

A Produção do “Fio da Morte”

Diferente do cerol artesanal (feito com cola e vidro moído), a linha chilena é um produto industrializado que utiliza pó de quartzo e óxido de alumínio. O resultado é um fio quatro vezes mais cortante do que o cerol comum, com uma resistência que a torna praticamente invisível e fatal para quem cruza o seu caminho.

Durante a incursão na fábrica em Jacarepaguá, os policiais encontraram tonéis de produtos químicos e máquinas de enrolamento que operavam a pleno vapor. Segundo as investigações, a estrutura tinha capacidade para abastecer diversos pontos de venda no Rio de Janeiro e enviar remessas para outros estados, configurando o crime de tráfico de material perigoso.

Riscos Além do Lazer: Mutilações e Mortes

A operação da Polícia Civil não visa apenas combater o comércio ilegal, mas proteger a vida. O uso da linha chilena é responsável por estatísticas alarmantes de acidentes graves, envolvendo principalmente:

  • Motociclistas e Ciclistas: As vítimas mais frequentes, que sofrem cortes profundos na região do pescoço, muitas vezes fatais.
  • Rede Elétrica: A resistência da linha chilena, que muitas vezes contém componentes metálicos, provoca curtos-circuitos, explosões de transformadores e interrupção no fornecimento de energia para bairros inteiros.
  • Fauna: Pássaros de diversas espécies são frequentemente encontrados com asas mutiladas ou mortos após ficarem presos em linhas remanescentes em árvores.

Lei e Punição

No estado do Rio de Janeiro, a Lei Estadual nº 8.478/19 é rigorosa: é proibida a fabricação, a venda e o uso de linha chilena ou qualquer produto cortante aplicado em linhas de pipas. Quem é flagrado fabricando ou comercializando, como os detidos em Jacarepaguá, responde criminalmente, podendo enfrentar penas de detenção e multas pesadas.

A Polícia Civil ressalta que o fechamento desta unidade clandestina em Jacarepaguá desarticula uma importante fonte de renda de grupos criminosos que exploram esse mercado durante o período de ventos mais fortes e proximidade das férias escolares.

O Papel da População

O portal Radar das Cidades reforça que a diversão de soltar pipas não deve custar a vida de ninguém. A conscientização de pais e jovens é fundamental para erradicar o uso desses materiais. Denúncias sobre fábricas clandestinas ou pontos de venda de linha chilena podem ser feitas anonimamente pelo Disque-Denúncia (2253-1177).

Os dois presos na operação desta quinta-feira foram encaminhados para a sede policial e aguardarão a audiência de custódia. O material apreendido será periciado e posteriormente destruído pelas autoridades.